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Mostrando postagens de julho, 2019

Carta a Nelson Rodrigues: viva as bobagens!

Olá Nelson, Estava assistindo uma entrevista sua e fiquei, por um momento, espantado. Saber que suas inspirações partem mais da literatura que do teatro me causou tremenda euforia. E me fez pensar um tanto em como às vezes o campo das artes é chato. É, isso mesmo, chato. Toda essa questão de profundidade... Toda essa tentativa de querer atingir um estado de transcendência, um estado de culto-transcendente-artista-contemporâneo... Isso me cansa. Um dia desses estava assistindo um vídeo de um tal workshop e em determinado momento do exercício, os atores começaram a fazer umas caras de dor e uns movimentos de, aparente, intensidade e do nada começaram a cantar caetano veloso, aquela música dor de estômago de fim de relacionamento. Ai Que Preguiça. (deveríamos querer ser menos artistas...) E são nesses momentos que você me conforta. O negócio é como a gente fricciona as realidades, os mundos. Como se trabalha com as poéticas em tentativa de unir-nos aos outros e não ficar preso n...

Territórios do personator (metapersonagem)

PRIMEIRO TERRITÓRIO DO PERSONATOR (Era uma vez um medo desejante) [ator em cena, parece buscar em seu corpo uma expressão que o represente, que o territorialize nesse momento, balbucia palavras quase irreconhecíveis. É uma busca por território, por sentido. Ao fundo, escuta-se em off vozes femininas, com as falas iniciais de Perdoa-me por me traíres. Ao ouvir as vozes, o ator vai encontrando em seu corpo a forma primeira do personator/metapersonagem. Ri, gargalhadas intensas e frenéticas, até se compor completamente]: - Medo, medinho medonho, por quê entraram aqui? Eu mesmo, eu não entro. [manhoso ] Mas entro, eu entro, mas logo saio. Entro metadinha. Tudo bem, só a cabecinha, pra espiar, mas saio. [ pausa ] Eu sei que você tem vontade [retira do bolso um pote de bolhas de sabão e começa a soprá-las ] Ser ou não ser, eis a questão [ sapateia e tenta estourar as bolinhas de sabão com os pés, é um movimento prazeroso ]. Um dia eu, lá pelos meus [ blablação ] anos, uma coleguinha me ...