Carta a Nelson Rodrigues: viva as bobagens!
Olá Nelson, Estava assistindo uma entrevista sua e fiquei, por um momento, espantado. Saber que suas inspirações partem mais da literatura que do teatro me causou tremenda euforia. E me fez pensar um tanto em como às vezes o campo das artes é chato. É, isso mesmo, chato. Toda essa questão de profundidade... Toda essa tentativa de querer atingir um estado de transcendência, um estado de culto-transcendente-artista-contemporâneo... Isso me cansa. Um dia desses estava assistindo um vídeo de um tal workshop e em determinado momento do exercício, os atores começaram a fazer umas caras de dor e uns movimentos de, aparente, intensidade e do nada começaram a cantar caetano veloso, aquela música dor de estômago de fim de relacionamento. Ai Que Preguiça. (deveríamos querer ser menos artistas...) E são nesses momentos que você me conforta. O negócio é como a gente fricciona as realidades, os mundos. Como se trabalha com as poéticas em tentativa de unir-nos aos outros e não ficar preso n...