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Mostrando postagens de maio, 2019

Não chegou carta, o correio entrou de greve. Movimento teórico #01: o corpo vibrátil

Já a segunda capacidade, subcortical, que por conta de sua repressão histórica nos é menos conhecida, nos permite apreender o mundo em sua condição de campo de forças que nos afetam e se fazem presentes em nosso corpo sob a forma de sensações. O exercício desta capacidade está desvinculado da história do sujeito e da linguagem. Com ela, o outro é uma presença viva feita de uma multiplicidade plástica de forças que pulsam em nossa textura sensível, tornando-se assim parte de nós mesmos. Dissolvem-se aqui as figuras de sujeito e objeto, e com elas aquilo que separa o corpo do mundo. Desde os anos 1980, num livro que acaba de ser reeditado , chamei de “corpo vibrátil” esta segunda capacidade de nossos órgãos dos sentidos em seu conjunto. É nosso corpo como um todo que tem este poder de vibração às forças do mundo. ( Suely Rolnik in Geopolítica da cafetinagem, 2006 ) Mesmo que tenhamos tratado, a maior parte do tempo, de uma produção dramatúrgica, não estivemos longe...

Carta à Glorinha: Capitu perdeu o lugar e você correu para se sentar.

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texto original escrito à mão. Acervo pessoal, 2019. Querida Glorinha, Sinceramente eu acho que você tem medo de amar. É isso mesmo, medo de amar. Toda essa história de medo do teu tio, pra mim, não funciona. Explico-me melhor, tem medo de amar a você mesma. Pelo que vi dessa tua entrada no texto de Nelson, há um desejo latente dentro desse corpinho ainda em formação. Desejo que no carnaval se liberou, mas e no restante dos dias? Tudo que muito se acumula uma hora transborda, hein.  Se eu fosse você, eu teria entrado de uma vez e depois fazia a cena mais cínica, mais debochada, caso titio descobrisse: "eu? Nunca, único lugar que estive foi a escola. Estu-DeI muito. Física, química, linguística, arte contemporânea, educação física dos corpos, o bê-a-bâ do seu-mestre-mandou . E ainda merenDeI ."  Glorinha... Você realmente gosta desse nome no diminutivo? Bobo, bobo. Mas te entendo... É uma máscara, não é? Eu sei, parece que estou te julgando, te condenand...

Carta de abertura: Nelson, eu te perdoo

Nelson,  Descobri que nesses últimos tempos você tem sido odiado pelas pessoas. Não posso ser hipócrita e dizer que sei o que é passar por isso, pois sou perfeito , intocável , inteligentíssimo .  Há umas semanas atrás estávamos Jacques Derrida e eu tomando um caldo de cana, aqui mesmo em Ceilândia, lá na pastelaria do centro, onde te vi pela primeira vez e me encantei. Ele me contou o quanto você é tachado de machista , homofóbico , classista , homem pederasta e como todos e todas e todes e todxs e tod@s e todeiax@ns estão repudiando o estudo e montagem de seus textos. Até mesmo Vestido de Noiva foi jogado no rio do julgamento e da condenação. Confesso que ri um pouco, oras, você, o homem controverso do teatro brasileiro, ícone de loucura e sanidade, que revelou toda uma porcalhada que acontecia no leito da família tradicional brasileira, oh Nelson, logo você que sempre riu de tudo isso e não decidiu ficar calado, logo você que escreveu A mulher sem pecado, Beijo...