Carta a Nelson Rodrigues: viva as bobagens!
Olá Nelson,
Estava assistindo uma entrevista sua e fiquei, por um momento, espantado. Saber que suas inspirações partem mais da literatura que do teatro me causou tremenda euforia. E me fez pensar um tanto em como às vezes o campo das artes é chato. É, isso mesmo, chato.
Toda essa questão de profundidade... Toda essa tentativa de querer atingir um estado de transcendência, um estado de culto-transcendente-artista-contemporâneo... Isso me cansa.
Um dia desses estava assistindo um vídeo de um tal workshop e em determinado momento do exercício, os atores começaram a fazer umas caras de dor e uns movimentos de, aparente, intensidade e do nada começaram a cantar caetano veloso, aquela música dor de estômago de fim de relacionamento.
Ai
Que
Preguiça.
(deveríamos querer ser menos artistas...)
E são nesses momentos que você me conforta. O negócio é como a gente fricciona as realidades, os mundos. Como se trabalha com as poéticas em tentativa de unir-nos aos outros e não ficar preso nessas bolhas cultas-dor-de-estômago.
(se olho para o workshop e para o carrinho de pamonha que acabou de passar em minha rua, o carrinho de pamonha é mais intenso)
Acho que os artistas deviam ser mais como Macabea, sabe? Sem tentar ser bonitinho demais, intenso demais ou perfeito demais. Acho que tinham que gostar, assim como Macabea, gostar de ver sangue. É aquilo que você diz, os canastrões são os melhores.
No fim,
A perfeição não existe.
A profundidade não existe.
Algum teórico um dia disse que a pele é o mais profundo. Tudo é dentro e tudo é fora.
Se essa arte, se essa arte fosse minha, eu mandava eu mandava ladrilhar
com função com função-gravidez
pra ver se essa dor de barriga ia passar.
Confesso: também sou ridículo. Mesmo do mesmo. Critico aquilo que eu mesmo sou. Talvez seja aquela coisa de transferência...
Estou cansado de cenas que só falam sobre um núcleo inacessível, com atores e atrizes buscando um grau de reconhecimento de sei lá quem, falando sobre suas crises adolescentes enquanto o mundo e sua potência vão em direção contrária.
Dizem política, mas do que adianta apenas política que se encerra numa mesa de bar?
Cansei, Nelson.
Deixe-me deitar em seu colo e me mime com uns tapas na cabeça e uma leitura de Álbum de Família...
Artistas, sejamos bobos e trabalhemos com as inutilidades.
Das inutilidades também nascem formigas...
Estava assistindo uma entrevista sua e fiquei, por um momento, espantado. Saber que suas inspirações partem mais da literatura que do teatro me causou tremenda euforia. E me fez pensar um tanto em como às vezes o campo das artes é chato. É, isso mesmo, chato.
Toda essa questão de profundidade... Toda essa tentativa de querer atingir um estado de transcendência, um estado de culto-transcendente-artista-contemporâneo... Isso me cansa.
Um dia desses estava assistindo um vídeo de um tal workshop e em determinado momento do exercício, os atores começaram a fazer umas caras de dor e uns movimentos de, aparente, intensidade e do nada começaram a cantar caetano veloso, aquela música dor de estômago de fim de relacionamento.
Ai
Que
Preguiça.
(deveríamos querer ser menos artistas...)
E são nesses momentos que você me conforta. O negócio é como a gente fricciona as realidades, os mundos. Como se trabalha com as poéticas em tentativa de unir-nos aos outros e não ficar preso nessas bolhas cultas-dor-de-estômago.
(se olho para o workshop e para o carrinho de pamonha que acabou de passar em minha rua, o carrinho de pamonha é mais intenso)
Acho que os artistas deviam ser mais como Macabea, sabe? Sem tentar ser bonitinho demais, intenso demais ou perfeito demais. Acho que tinham que gostar, assim como Macabea, gostar de ver sangue. É aquilo que você diz, os canastrões são os melhores.
No fim,
A perfeição não existe.
A profundidade não existe.
Algum teórico um dia disse que a pele é o mais profundo. Tudo é dentro e tudo é fora.
Se essa arte, se essa arte fosse minha, eu mandava eu mandava ladrilhar
com função com função-gravidez
pra ver se essa dor de barriga ia passar.
Confesso: também sou ridículo. Mesmo do mesmo. Critico aquilo que eu mesmo sou. Talvez seja aquela coisa de transferência...
Estou cansado de cenas que só falam sobre um núcleo inacessível, com atores e atrizes buscando um grau de reconhecimento de sei lá quem, falando sobre suas crises adolescentes enquanto o mundo e sua potência vão em direção contrária.
Dizem política, mas do que adianta apenas política que se encerra numa mesa de bar?
Cansei, Nelson.
Deixe-me deitar em seu colo e me mime com uns tapas na cabeça e uma leitura de Álbum de Família...
Artistas, sejamos bobos e trabalhemos com as inutilidades.
Das inutilidades também nascem formigas...
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